Exposição no Iphan, em Tiradentes, a partir de 1º de abril.
A sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Tiradentes recebe, a partir de 1º de abril, uma exposição do artista italiano Guido Boletti que propõe uma experiência pouco convencional ao público: perceber a pintura como som.
A mostra, que já passou por Belo Horizonte, reúne trabalhos desenvolvidos ao longo de mais de 30 anos de pesquisa do artista, marcada pela tentativa de traduzir elementos musicais em linguagem visual. Em Tiradentes, as obras ocupam o casarão histórico do Iphan, criando um contraste entre o ambiente colonial e o abstracionismo contemporâneo.

Com forte caráter sensorial, a exposição convida o visitante a explorar relações entre cor, forma e ritmo, em uma proposta que se aproxima da sinestesia — quando diferentes sentidos se misturam. Boletti, que possui cegueira parcial, afirma que a limitação visual contribuiu para tornar sua produção mais intuitiva e distante de referências figurativas tradicionais.
A curadoria está organizada em três núcleos. O primeiro, “Assoli”, apresenta pequenas pinturas sobre papel que evocam composições individuais e dialogam com o universo literário de Italo Calvino. Já em “Suites”, o público encontra dípticos que funcionam como partituras visuais, sugerindo harmonias e contrastes. Por fim, “Sonatas” reúne telas maiores que propõem múltiplas leituras a partir de uma única imagem.
Nascido em Milão, em 1961, Boletti iniciou sua trajetória artística de forma autodidata, após abandonar a música para se dedicar à pintura. Ao longo da carreira, recebeu apoio de nomes como o crítico Carlo Munari e o artista Renzo Margonari. Além da pintura, também desenvolve trabalhos em cerâmica, vidro e design.
Radicado no Brasil desde 2007, o artista mantém ateliê no centro histórico de São João del-Rei. Nos últimos anos, ampliou sua formação ao concluir o curso de Filosofia na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), o que, segundo ele, influenciou diretamente sua produção mais recente.
A exposição em Tiradentes reforça o diálogo entre diferentes linguagens artísticas e convida o público a uma imersão onde ver e ouvir se confundem — uma proposta que aposta menos na interpretação objetiva e mais na experiência individual de cada visitante.
Fotos: Acervo pessoal