1 de fevereiro de 2026

Abertura da 29ª Mostra de Cinema celebra a atriz Karine Teles

Evento também exaltou o momento iluminado do cinema brasileiro.

A cerimônia de abertura da 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes lotou o Cine-Tenda na noite de estreia do evento e reuniu políticos, empresários, representantes do poder público, realizadores e jornalistas. O encontro marcou não apenas a abertura da programação de filmes, mas também o início de uma semana de debates sobre cultura, políticas públicas e o papel estratégico do audiovisual no país, reafirmando a Mostra como espaço central de articulação entre criação, pensamento crítico e ação institucional.

A coordenadora-geral da Mostra, Raquel Hallak, destacou em seu pronunciamento – que a levou a se emocionar em determinado momento – o compromisso histórico do evento com novas vozes e formas de criação no cinema brasileiro. “Existe uma imaginação que emerge de muitos Brasis e propõe várias formas de existir. A Mostra, desde que surgiu, decidiu apostar nesses novos protagonismos e possibilidades”, afirmou.

Raquel (foto acima)  defendeu a regulação das plataformas, a distribuição democrática das políticas públicas e o fortalecimento do cinema brasileiro como vetor de protagonismo econômico e simbólico. Ao lado de parceiros institucionais, ela também lançou oficialmente as atividades de 2026 do programa Cinema sem Fronteiras, anunciando as datas da CineOP e da CineBH.

A atriz e diretora Karine Teles, homenageada deste ano, recebeu o Troféu Barroco em reconhecimento à trajetória construída ao longo de mais de duas décadas de trabalho. Ao subir ao palco do Cine Tenda, Karine estava emocionada e acompanhada da família. A homenagem ressaltou a consistência de uma carreira marcada por escolhas autorais, versatilidade artística e forte compromisso com a criação cinematográfica.

Em seu discurso, Karine falou com franqueza sobre as condições de quem atua no campo cultural no Brasil. “Quem trabalha com cultura, com educação, com arte no nosso país sabe que a gente está o tempo todo recomeçando. São carreiras instáveis, imprevisíveis, numa montanha-russa frequente de emoções”, afirmou, ao destacar os ciclos de reconhecimento e invisibilidade que atravessam o setor.

A artista também ressaltou a dureza da permanência: “Persistir, ficar, é muito difícil. Não é nada valoroso, não é nada romântico. É muito duro”. Ao agradecer à curadoria do festival, Karine expressou o desejo de que a Mostra siga “existindo, crescendo e promovendo encontros e debates”.

A abertura contou ainda com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo. “Vivemos um momento importantíssimo de projeção do cinema brasileiro no mundo. E isso significa algo mais profundo: somos um povo que sabe transformar memória, dor, alegria e luta em narrativa”, afirmou.

Segundo a ministra (foto acima), o cinema brasileiro nasce da resistência e da organização coletiva, constituindo-se ao longo do tempo como um território de disputa de sentidos, afirmação da dignidade e enfrentamento das desigualdades. “É por isso que ele ocupa um lugar tão central no debate sobre direitos humanos e é por isso que estamos aqui também”, completou.

Já a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, Joelma Gonzaga, abriu oficialmente o calendário audiovisual brasileiro celebrando o momento de reconhecimento internacional vivido pelo país. Vestindo uma camiseta do filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, indicado a quatro Oscars, ela destacou a relação direta entre conquistas artísticas e políticas públicas. “Quando um filme do Brasil entra em cartaz, o Brasil inteiro entra em cartaz. E nesse momento o Brasil está em cartaz no mundo todo. Isso não é por acaso, é fruto de política pública”, afirmou.

Fonte: Universo Produção | Fotos: Jackson Romanelli e Leo Fontes